quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Nosso futuro está sofrendo cortes.

Sou uma pessoa que não acha válida a discussão de política e seus afins em redes sociais. Por mais discutido que esses assuntos deveriam ser, a nossa sociedade ainda é demasiadamente incapaz de fazer comentários civilizados, tornando o provável post num debate do que, poderíamos chamar, a Câmara dos Deputados, onde a baderna é vista com frequência.

Porém, na última quarta-feira, meu (incrível) professor de literatura chocou a mim e à minha classe com a notícia que ele tinha visto nos jornais naquela manhã. As universidades públicas teriam seus recursos cortados em 80%. 

Fiquei o resto do dia pensando nessa situação e encaixando-a na vida de diversas pessoas que estão ao meu redor. Mas, obviamente, o meu futuro foi o primeiro que cruzou os meus neurônios.

Quando decidi pelo curso de Jornalismo, que se tudo der certo, iniciarei em 2018 na USP, soube que teria que passar por alguns desafios até conseguir o que eu penso para mim. Sair do interior, onde a moradia não é das mais caras que se pode imaginar, e ir para São Paulo, já iria me custar mais do que poderia pagar atualmente. Isso já criou um conflito comigo mesma, pois a incerteza financeira pela qual passamos (com "passamos", quero dizer todo o país)  nesse ano é algo que me assusta cada vez mais. Ter que me deslocar de São Carlos e ainda estudar numa universidade particular é um pensamento e uma possibilidade que não se encontra nas primeiras cinco maneiras da minha lista de "Qual universidade irei frequentar e onde?".

Conversando com o meu cunhado (que trabalha instalando equipamentos de Química em diversas universidades do país)  em uma das visitas que fiz para ele e para minha irmã, fui alertada que a situação não era boa nas faculdades públicas do Brasil. Faltava segurança, faltavam equipamentos e mais uma série de coisas que só com recursos seriam realizadas. Depois do que me foi dito ontem, fiquei imaginando como as coisas procederiam com um corte tão brusco nos fundos.

Algumas universidades públicas já não têm meios suficientes para o sustento de alguns cursos, principalmente aqueles ligados à artes, música e cinema (basicamente aquilo que não é valorizado no Brasil). Mas não é de se espantar que, atualmente, vemos muitos cursos de Medicina, administração, direito, entre outros, não terem boa qualidade também.

Não é agradável pensar que, muito provavelmente, o sonho de estudar em universidades públicas esteja chegando ao seu fim para os estudantes. Eu mesma, como estudante do 2º ano do Ensino Médio, tenho muita dificuldade para digerir o fato que deveria abrir uma poupança para a faculdade privada em SP, quando achei que conseguiria dar algum descanso financeiro para os meus pais.

Por isso, não vim por meio deste fazer mais reclamações àquele que governa nosso país, apenas as medidas que estão sendo tomadas. Será mesmo que, aquilo que nós aprendemos em Vidas Secas, que pode TRANSFORMAR uma sociedade, é aquilo que deveríamos abrir mão? É mesmo da educação que os recursos deveriam sofrer cortes?

É a nossa vez de mover as peças do tabuleiro de xadrez.

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